O cinema pode ser uma janela para novas experiências, mas também pode ser um espaço de memória, encontro e reconhecimento de histórias de vida. Com esse olhar, duas ações realizadas em diferentes festivais de cinema na Paraíba promoveram diferentes formas de aproximação entre o audiovisual e o público idoso: uma experiência de criação cinematográfica durante o VII Cine Açude Grande, em Cajazeiras, e uma sessão especial de filmes durante a VI Mostra Sumé de Cinema, em Sumé.
Durante o VII Cine Açude Grande, realizado em Cajazeiras, o audiovisual deixou de ser apenas uma linguagem para ser apreciada e passou a ser uma ferramenta de criação. No Condomínio Cidade Madura, espaço voltado à moradia e convivência de pessoas idosas, foi realizada uma oficina de iniciação ao cinema ministrada pelo cineasta e educador Marcelo Paes de Carvalho.
A atividade proporcionou aos participantes uma experiência prática de construção cinematográfica. Os idosos puderam conhecer diferentes etapas da produção de um filme, participando da elaboração de ideias, construção de roteiro, operação de câmera, captação de som e outros processos envolvidos na realização audiovisual.
Mais do que aprender técnicas, a oficina possibilitou que os participantes ocupassem um novo lugar diante do cinema: o de criadores e narradores de suas próprias histórias. A experiência valorizou suas memórias, seus repertórios e suas formas de enxergar o mundo, mostrando que o audiovisual também pode ser uma ferramenta de expressão em todas as fases da vida. Os idosos puderam pegar a câmera e de fato colocaram e a mão na massa para produzirem o seu primeiro filme, um momento muito marcante e potente para todos os envolvidos.
Na semana seguinte, o diálogo entre cinema e terceira idade continuou, desta vez durante a VI Mostra Sumé de Cinema, no cariri paraibano. Como parte da programação do festival, foi realizada uma exibição de filmes dentro do abrigo de idosos Rosália Paulino, levando a experiência cinematográfica para um espaço de convivência e acolhimento.
A sessão permitiu que os moradores tivessem contato com obras audiovisuais em um momento pensado especialmente para eles, criando um momento de integração, emoção e compartilhamento. Mais do que assistir aos filmes, a atividade proporcionou uma oportunidade de encontro, despertando lembranças, conversas e diferentes formas de interação com as narrativas apresentadas na tela.
Embora realizadas em contextos distintos, as duas ações revelam uma mesma perspectiva: o cinema como uma linguagem acessível, capaz de atravessar gerações e criar pontes entre pessoas, histórias e territórios.
De um lado, idosos assumindo câmeras e construindo suas próprias narrativas. Do outro, espectadores tendo acesso ao cinema dentro de seu próprio espaço de convivência. Em comum, a compreensão de que o audiovisual não pertence apenas às salas de exibição ou aos profissionais da área — ele também pertence às memórias, experiências e olhares de todos.
